Francisco Inácio Peixoto, Cataguases e o Modernismo
Cajazeiras: Arribaçã, 2024.
Cumplicidade poética, admiração, reconhecimento...
Muito mais surpresas nos revelam estas páginas de um tema já há tanto esperado e necessário, para se recompor o mosaico de uma História-Memória tão bela e preciosa, da Verde herança de Cataguases!
Márcia Carrano traz a público este merecido olhar retrospectivo e introspectivo, ao cataguasense Francisco Inácio Peixoto. A leitura atenta e cada vez mais envolvente deste ensaio faz-nos ver descortinar-se, em nossos tempos já tão sem memória, o "Chico Peixoto", monumento icônico de um tempo que inscreveu, no cenário artístico-cultural brasileiro, a cidade que ele tanto amava.
A Autora, que, com justeza e poesia o denomina "arquiteto de letras-tintas-concreto", confessa a motivação para este registro de suas pesquisas, testemunhos e registros de uma feliz convivência amiga, por seu:
[...] respeito pelo intelectual destemido, extremamente crítico e perspicaz. Mais fundo ainda está guardado o amor-amizade pelo homem verdadeiro, sensível, corajoso e livre. Só um intelectual assim conseguiria viver toda a sua vida na província sem jamais se tornar provinciano.
Assim, estas páginas vêm nos provocar a revisitarmos a vida e obra de Francisco Inácio Peixoto e sua influência na educação, cultura, arte e nos movimentos literários de autores cataguasenses posteriores ao Movimento Verde. É assim que a veia poética de Márcia descreve a saga do "chico/eros" engravidando de arte a sua Cataguases, neste fragmento de seu poema:
[...]
chico/eros sempre desferindo flechas
nas entranhas de sua amada, torna-a grávida
de portinari, niemeyer e outros mais
e ainda deixa que marques rebelo a acaricie
com palavras e palavrões.
longa é sua saga
de sagacidade e astúcia.
como o deus grego – brincalhão – espalha
vida, alegria, fecundidade, mas vez ou
outra tiraniza
e se diverte irônico com a tolice dos mortais.
[...]
Cataguases foi tombada, em 2003, como Patrimônio Histórico Nacional e, sem dúvida, a Autora traz-nos elementos indispensáveis à preservação da memória e identidade culturais, que, nestes tempos fluidos, clamam por novas gerações de cidadãos "para cuidar dessa meca da cultura construída por Francisco Inácio Peixoto".
Francis Paulina







